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... Já perambulei a esmo na doutrina do Carpe Diem; esmiucei os oráculos dos elementos naturais dos hexagramas do I Ching, e me vi devorando a essência profunda dos Vedas do Bhãgavatam, às margens do Rio Ganges. PARADOXO Eu também poderia me sentar no trono da conformação absoluta, erguer os braços e agradecer por ter “conseguido” tudo o que eu quis. Não sei se ao fazer uso da palavra “conseguido” esteja sendo fiel à etimologia dessa palavra, prefiro, pois, acreditar que fiz jus aos desígnios contidos na doutrina secreta traçados para o meu plano existencial. Mas há nesse contexto a sensação de superficialidade ou o comodismo absurdo de aplaudir o desenrolar de um espetáculo do qual a mediatriz de minha ignorância não me permiti nada entender. Nesses “alinhavares” vou tecendo minha jornada, relegando a segundo plano trivialidades e variantes com as quais muitos se utilizam para definir ou mensurar o que seja essa tal felicidade. Sinto falta de algo mais plausível e o desejo exacerbado de invadir o palco, esmiuçar os bastidores desse espetáculo e deparar-me com a essência da verdade de minha trajetória ao longo dessa jornada. Se a vida é um espetáculo em festa, com o espírito ébrio e irrequieto, busquei sabedorias milenares repousadas nas prateleiras empoeiradas de luxuosas bibliotecas; já perambulei a esmo na doutrina do Carpe Diem; esmiucei os oráculos dos elementos naturais dos hexagramas do I Ching, e me vi devorando a essência profunda dos Vedas do Bhãgavatam, às margens do Rio Ganges. Nesse processo introspectivo, todos os parâmetros que margeiam a problemática existencial convergem na mais absoluta harmonia, e na superficialidade dessas variantes tão comuns, feito centelha volátil, há a sensação do transcendente, da pujança da força das coisas quando elas precisam acontecer. eduardo.conde@uol.com.br
Escrito por Eduardo Augusto Conde Cavalcan às 00h51
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Amadurecer não no aspecto físico, isso o tempo se encarrega magnificamente bem de fazê-lo, mas nas idéias, na saúde mental, emocional, no próprio convivo social. UMA EXCEÇÃO Não é do meu feitio revidar ou, como se diz no popular, “devolver com a mesma moeda”, alguma ofensa recebida; quer pessoalmente, ou aquelas contidas no bojo de alguns comentários que recebo via e-mail, acerca dos textos que publico aqui, nesse espaço. Ao contrário, costumo agradecer; tanto os comentários educados e engrandecedores; os nem tanto e até os ofensivos, quando há oportunidade de diálogo. Tenho esse comportamento por dois motivos: primeiro, acho que desde o momento em que eu, você, qualquer um de nós se predispõe a mostrar nossos textos num blog, por exemplo, tornamo-los públicos e, consequentemente, chamamos para nós não só a responsabilidade do que apresentamos, como também outorgamos direitos a quem nos ler, de emitir suas opiniões, sejam elas quais forem. Segundo, quero crer que quem se dispõe a ler trabalhos literários, quer de escritores profissionais ou amadores, são pessoas que tem certa afinidade com as letras, que gostam, que admiram e sabem – ou pelo menos deveriam saber –, que essa interação entre quem escreve e quem ler, pode ser algo salutar, engrandecedor, cordial, desde o momento em que haja respeito, civilidade, mesmo que alguns pontos de vista não se coadunem, detalhe que é bastante natural. Ao longo desses anos que mantenho esse blog, tenho conhecido criaturas extraordinárias, sensíveis, finas, educadas que sempre me oportunizam formas de crescimento e amadurecimento mental extraordinárias; mas as vezes – e isso é bastante normal -, me deparo com algumas que incrivelmente conseguem extrapolar todos os limites do bom senso ao utilizarem-se de picuinhas tão mesquinhas que não levam a nada, a lugar nenhum e aí eu me pergunto: mas a troco de quê toda essa deselegância? O que constrange não é o fato da pessoa discordar daquilo que opinamos ou acreditamos. Não, não é isso..., seria até presunção de minha parte se olhasse a situação por esse ângulo; mas a maneira debochada com a qual algumas se portam e se comportam sem, inclusive nos mostrarem argumentos subsistentes para que, a partir daí se possa travar um diálogo profícuo. Ao contrário, seguem por caminhos ermos, como se procurassem expurgar suas facetas de deselegância, de insensatez e até de covardia, tal qual uma serpente, quando tem sede de destilar o seu veneno. E pior: pessoas que não se mostram, escondem-se por trás de um pseudônimo. É uma situação tão constrangedora quanto conversarmos com alguém que não nos olha nos olhos, que não nos encara; os olhos, os gestos, as reações não mentem, dizem muitas vezes o que a boca não sabe ou se nega a falar por pura covardia. Isso é péssimo! Tenho dito que ao manter esse blog não persigo outro objetivo a não ser mostrar, despretensiosamente, o resultado das tantas interações que mantenho comigo e digo mais: se com a mesma intensidade com a qual malhamos o corpo em busca da beleza estética, também “malhássemos” a mente, o espírito, enfim, zelássemos por nossa cosmogonia, tantos valores morais não estariam aí, entrando num verdadeiro processo de decadência, de extinção, de colapso pleno. Pode até ser, meu caro (a) amigo (a), reconheço, que eu, talvez até inadvertidamente consiga atingir conceitos, mas mesmo assim é isso o que nos faz amadurecer. Amadurecer não no aspecto físico, isso o tempo se encarrega magnificamente bem de fazê-lo, mas nas idéias, na saúde mental, emocional, no próprio convivo social. Mas já que não posso, não devo e não quero alhear-me de continuar aqui, alimentando esse blog, quero te fazer um convite: vamos dialogar! Isso é salutar e será mais, muito mais se você se dispuser a entender que em todos os tempos, o ponto de vista de cada um sempre foi o ponto da questão. É aí, justamente aí, no surgir desses impasses, que o conhecimento aflora, se aprimora. Um grande abraço. eduardo.conde@uol.com.br
Escrito por Eduardo Augusto Conde Cavalcan às 16h18
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Dentre as tantas causas que podem desencadear a dissolução de uma relação conjugal, muitas podem ser passiveis de reconsideração; mas nada mais deprimente do que a infidelidade, a traição covarde, mesquinha. Situação que inviabiliza qualquer possibilidade de reconciliação. PRESSA, MUITA PRESSA DE SEREM FELIZES. Dizer que seu casamento fora um fracasso, seria injusto. Tivera seus altos e baixos, é bem verdade, coisa natural em todo e qualquer relacionamento, mas tudo perfeitamente dentro dos limites do ponderável em nome de uma relação preservada por longos anos sob os auspícios da cumplicidade, respeito e dedicação. Aquela separação que pôs fim ao seu casamento até poderia ter-lhe sido menos traumatizante, se realmente ela tivesse sido causada por qualquer outro motivo; mas ter que absorver a certeza de que fora traída, cortava-lhe o coração, punha fora de cogitação qualquer possibilidade de reconsideração. Não era mulher que se dispusesse a negociar a sua dignidade. A realidade era aquela. Aconteceu, fazer o quê? Sabia o quanto seria difícil ter que quebrar vínculos afetivos, mudar hábitos, esquecer momentos compartilhados ao longo de tantos anos, mas questionar-se se aquela sua atitude fora correta ou não, parecia-lhe fora de propósito. Adaptar-se à nova condição de "mulher separada" eis, pois, o seu novo desafio. Em meio às enxurradas de decepções, estabeleceu um propósito: empenhar-se de corpo e alma às suas atividades docentes seria fundamental - talvez aí, embutido nessa decisão estivesse o desejo de abster-se em pensar na possibilidade de outro envolvimento emocional, como também fugir da ociosidade, para não dispor de tempo de pensar no que vivera. O tempo é um excepcional remédio para muitos males que nos afligem, mas a vida às vezes nos reserva amarguras que definitivamente ficam encravadas em nós, nos acompanham vida afora. O seu caso específico, creio eu, estava inserido no rol dessas amarguras. Não se esquece. A excepcionalidade do tempo, nesses casos, é amainar as lembranças amargas levando-as para longe de nós e aí temos a grata sensação de que tudo passou. Propósito cumprido à risca... Mas só por alguns poucos anos. Haveria de surgir no seu caminho a figura daquele jovem senhor, recém aprovado em concurso público para o cargo de professor efetivo, na universidade onde ela lecionava há já alguns anos! Seria ele, aquele velho "lobo do mar" quem lhe tiraria do sério, promoveria reviravoltas incríveis em sua cabeça, em suas convicções pessoais. - Não..., eu não estou preparada para uma nova investida, pensava. Não que se sentisse ainda arraigada às lembranças do passado. Houvera já expurgado todas as maledicências contra a vida; já não blasfemava contra os céus. - Não, nem pensar nessa possibilidade. Batia o martelo. Mas só ela sabia que pouco a pouco a presença do mancebo galante invadia-lhe todos os seus espaços. Excitava-a aquela sua maneira nada convencional de cortejá-la num verdadeiro jogo de sedução. Aquele seu olhar incisivo, num idioma todo especial, parecia confidenciar-lhe o quanto a desejava com uma voracidade indecente; as suas insinuações ousadas pareciam conhecer as suas carências afetivas e sexuais desde há muito abafadas dentro dela; seus afagos, os toques sutis de suas mãos em seu corpo eram estopins a atearem fagulhas naquele poço de tantos desejos reprimidos. Jamais, após o desencadear de todo processo de separação, houvera olhado com olhos de desejos para um homem. As suas fantasias sexuais passaram a fluir à flor da pele. Naquelas noites em que o corpo ardia em desejos, esparramada num leito frio e desolado, ela não tinha como não adentrar a bordo de sua imaginação e trazê-lo, via pensamento, para junto de si. E aí era só dar asas à imaginação e viver com ele as suas fantásticas loucuras de amor, plenamente liberta de preconceitos, amarras e dos seus velhos conceitos de valores morais. Mandava tudo às favas! E como era fértil sua imaginação! No teatro de suas fantasias já vivera com ele mil personagens: já se imaginou uma fera indomável; já se viu na pele de uma jovem donzela cheia de expectativas ante a primeira entrega; uma deusa sendo adorada nos braços dele; uma louca. Mas gostava mesmo era de imaginá-lo um gentleman na arte de seduzi-la, a cobrir-lhe de carinhos, colos, chamegos. Imaginava doando-se, feito uma oferenda, sentindo a sua pele arrepiar sempre quando as mãos dele solenemente deslizavam por todos os contornos do seu corpo, invadindo, violando sem escrúpulos os recônditos de suas intimidades, deixando-a a se contorcer de prazer no anticlímax rumo ao mergulho no infinito dos prazeres. Como era bom imaginar o seu corpo curvar-se para uma posição tal, onde o cavalgar de seus corpos lhe permitisse tê-lo todo para si, senti-lo inteiro, mergulhado no seu poço de prazeres, a jorrar volúpias, êxtases que jamais ela havia vivido com tamanha plenitude e entre gemidos, sussurros, uivos, chegava ao destino dos amantes. Satisfeita nas suas fantasias, o sono chegava e ela dormia em paz.
Escrito por Eduardo Augusto Conde Cavalcan às 15h57
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